atualizado em 31/07/2010
FSM 2005

20.08.2004
FSM 2005: Grupo de Trabalho de Economia Popular Solidária

NOTA CONCEITUAL

No Fórum Social Mundial 2005 a Economia Popular Solidária dará um passo de qualidade na construção de um outro mundo possível!

Foram quatro edições do FSM com uma caminhada significativa, em que o debate das concepções e propostas aproximou as experiências de trabalho autogestionário e solidário de todo o mundo, demonstrando o caráter universal desta alternativa de organização da economia e do trabalho sem exploradores e explorados baseada na inclusão social.

O FSM, para os empreendimentos solidários, sempre se caracterizou como um momento especial porque estabeleceu um encontro com os consumidores mais conscientes e defensores do consumo ético e solidário, e que priorizam o ser humano e a prática ecológica em suas visões de mundo. O FSM também se constitui no momento de intensa atividade econômica, marcadamente alternativa ao comércio tradicional, em que a economia solidária tem a oportunidade de praticar novos conceitos e princípios e gerar trabalho e renda capazes de impulsionar os empreendimentos solidários e suas organizações autogestionárias em redes de cooperação econômica, política e social.

Do FSM 2003 para o FSM 2005 a Economia Popular Solidária está mais organizada e madura. Neste período construiu fóruns municipais, regionais, estaduais e nacional, envolvendo empreendimentos solidários, entidades de apoio e gestores públicos. Ampliou o número de empreendimentos solidários, mais amadurecidos nas práticas de autogestão e inserção na atividade econômica. Implantou a prática de redes de cooperação solidária na ação econômica e sofreu repercussões positivas de sua experiência no último Fórum em Porto Alegre. Conquistou a formação da Secretaria Nacional de Economia Solidária vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego em 2003.

Do ponto de vista da organização do FSM, consolidou-se, nos marcos da proposta política de um outro mundo é possível, novas gestões políticas, ideológicas e culturais, refletidas no próprio evento. Porém, as operações econômicas decorrentes foram realizadas, com exceções, pelos mecanismos do mercado tradicional capitalista. Para o FSM 2005, a proposta é a mudança de paradigma para a gestão econômica, fazendo dela uma experiência de transformação antes, durante e depois do FSM. De ações periféricas em Fóruns anteriores, a Economia Popular Solidária passa a ser a primeira opção para o atendimento das demandas de organização, produtos e serviços do Comitê de Organização e deve buscar atender as necessidades e desejos dos participantes do FSM 2005. As demandas viabilizadas pelas empresas tradicionais terão um caráter complementar.

A orientação desta gestão econômica realizada pelo Comitê de Organização em articulação com a Economia Popular Solidária deve ter como eixos orientadores: o boicote às multinacionais; o combate aos transgênicos; as práticas de moeda social e as práticas ecológicas.

Os Encontros de Empreendimentos Solidários que ocorrem entre junho e agosto em nível estadual e nacional são momentos importantes para a organização de núcleos autogestionários por segmento econômicos, já indicando representações formando aglutinações iniciais que, junto com as instâncias permanentes da Economia Popular Solidária, dêem início à auto-organização visando o FSM 2005.

O CO do FSM 2005 formou o Grupo de Trabalho da Economia Popular Solidária, entre outros, para auxiliá-lo na tarefa de realizar o planejamento estratégico, através do mapeamento das demandas do FSM 2005 e da oferta dos empreendimentos solidários, construção dos arranjos de redes para a sustentação na escala necessária do Fórum, e a articulação entre os interlocutores da Economia Popular Solidária para a execução.

O mapeamento das demandas do FSM 2005 para análise de possibilidades e potencialidades de atendimento pela Economia Popular Solidária iniciará pelos seguintes segmentos: Alimentação; agricultura; hospedagem; transporte; segurança; limpeza; kit-delegado; agenciamento de viagens; turismo; cultura; confecção; vestuário; produtos em geral; artesanato; jornalismo; comunicação; material visual; produção gráfica; birô eventos; infra-estrutura.

Para que as atividades da Economia Popular Solidária sejam uma experiência de transformação antes, durante e depois do FSM 2005 é necessário garantir o protagonismo dos empreendimentos solidários e suas articulações através dos núcleos autogestionários por segmento econômicos formados inicialmente nos encontros estaduais de empreendimentos solidários de junho e, assim, viabilizar o acúmulo posterior ao FSM.

Na construção da participação está inserido a definição dos critérios de perfil dos empreendimentos solidários, os processos de formação e assessoria, controle de qualidade dos produtos e serviços e a articulação entre empreendimentos.

Necessidade inerente à atividade econômica, em particular para os empreendimentos solidários, o financiamento deve ser tratado em sua dinâmica política de parceria com busca coletiva de linhas voltadas para a Economia Popular Solidária, e a captação de recursos para o fomento à produção e serviços de diferentes agentes identificados com o movimento, com a coordenação do Comitê de Organização.

Neste FSM 2005 deve-se potencializar a interação entre os seminários e oficinas sobre Economia Popular Solidária e as atividades econômicas em curso durante os debates. Os dois espaços podem se multiplicar qualitativa e quantitativamente numa síntese entre teoria e prática gerando novas experiências. A construção econômica do FSM 2005 com a efetiva participação da Economia Popular Solidária deve ser um dos temas prioritários do debate com os depoimentos diretos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

O Grupo de Trabalho é composto pelas entidades do Comitê de Organização e entidades da Economia Popular Solidária parceiras no planejamento e execução técnica da tarefa. A base operacional do GT é junto ao Escritório do FSM 2005, em Porto Alegre.







 
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