20.02.2003 Oficina: “Por Um sistema financeiro como agente do desenvolvimento humano e produtivo”
24/01/2003
(Porto Alegre) A Confederação Nacional dos Bancários (CNB/CUT) discutiu o sistema financeiro internacional neste III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, hoje pela manhã, no auditório do prédio 7 da PUCRS, amanhã o debate continua. A oficina “Por um Sistema Financeiro Internacional como agente do desenvolvimento humano e produtivo” teve a participação de Elizabeth Drake (AFL-CIO/EUA), Jean-Marie Roux (CFDT/França), Wagner Pinheiro de Oliveira (Afubesp e Banesprev/Brasil) e do mediador Manoel Rodrigues (COMFIA-CC.OO/Espanha).
A abertura ficou a cargo da presidente da CNB/CUT, Fernanda Carisio, que salientou que “nós podemos e devemos fazer ouvir a nossa voz global em direitos em todo o mundo.”
Os participantes da mesa foram unânimes: “cada vez mais se faz necessário um sistema financeiro internacional que pense o desenvolvimento do povo”.
Manoel Negro (Uruguai) saudou os participantes da oficina dizendo que necessitamos de “ um Sistema Financeiro que responda às necessidades do mundo.”
Raul Requena da Union Network International (UNI), lembrou que o compromisso da UNI é lutar por outro mundo possível e que grande parte dos empregos são proporcionados pelas médias e pequenas empresas.
Elizabeth Drake, Jean-Marie Roux e Wagner Pinheiro apontaram como uma das alternativas para um Sistema Financeiro Internacional que pense nos trabalhadores, acabar com os paraísos fiscais e regulamentar o sistema, tornando-o mais produtivo do que especulativo, pois só assim todos terão acesso ao sistema financeiro. Um dos exemplos utilizados foram as Cajas de Ahorro (bancos populares), na Espanha, que são mais de 50% do setor financeiro, e todos os trabalhadores, consumidores têm acesso à abertura de contas.
O mediador, Manoel Rodrigues, acredita que “um dos elementos mais escandalosos do sistema financeiro é a falta de democracia”.
“Precisamos de uma solução internacional, da participação de todos os governos”, afirmou Elizabeth Drake.
Para Wagner Pinheiro é necessário transparência na gestão das empresas, respeito aos trabalhadores e uma nova forma de relacionamento do capital com a sociedade.
Amanhã, dia 25, a partir das 9 horas continua a oficina “Por um Sistema Financeiro Internacional como agente do desenvolvimento humano e produtivo”, no auditório do prédio 7, na PUCRS, com participação de Juan José Cladera, da AEBU, do Uruguai, Maria Alejandra Madi, professora de economia da Unicamp e Marcelo Terrazas, da subseção do Dieese da CNB/CUT.
Durante a tarde, a partir das 14h30, haverá a oficina “ Santander, BBV, HSBC e ABN-Amro - Exclusão de empregos e direitos”, que se realizará no auditório da Federação dos Bancários RS –Rua Vicente de Paula Dutra, 215/201 - Praia de Belas, em Porto Alegre.
Segundo dia de Oficina
Bancários articulam ação global para discutir papel do crédito - 26/01/2003
(Porto Alegre) A Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT) elabora nesta tarde um documento para concretizar as ações que possibilitarão aos bancários do mundo inteiro um novo mundo no trabalho.
A afirmação foi da presidente da CNB-CUT, Fernanda Carísio, na abertura do segundo dia da oficina “Por um Sistema Financeiro Internacional como agente do desenvolvimento humano e produtivo”, na manhã de hoje no auditório do prédio 7 da PUC-RS.
A abertura foi feita pelo diretor da Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul, Paulo Stekel. O diretor enfatizou que a lógica do Sistema Financeiro Internacional é incompatível com os direitos humanos. De acordo com Stekel, para sanar os atuais desníveis entre bancários e banqueiros é necessário a organização de Comissões Internacionais dos Funcionários de bancos, a exemplo das já criadas: BBVA, Santander, HSBC, ABN-AMRO e Sudameris.
Para o uruguaio Juan José Cladera, dirigente da Associação dos Bancários do Uruguai (AEBU), em cada país o Banco Central deveria controlar o ganho dos bancos: como lucram, de onde vem o dinheiro e para onde ele vai. Segundo Cladera a prioridade dos bancos deveria ser a geração de crédito. Para o dirigente, se os sistemas judiciários do mundo inteiro fossem interligados poderia haver punição para organismos como o FMI, que mostram como os países devem proceder, sem o menor comprometimento.
De acordo com a doutora pela Unicamp, Maria Alejandra Madi, os países em desenvolvimento têm que se articular, porque a distância entre eles é a abertura suficiente para que peçam empréstimos ao FMI, procurando se salvar das crises. Maria Alejandra afirmou que os países em desenvolvimento devem ter autonomia no que diz respeito a política econômica. Segundo a acadêmica, para que sejam respeitados os direitos humanos em detrimento da liberalização econômica e comercial é preciso que as negociações comerciais e financeiras sejam integradas; e que a arquitetura financeira regional, nacional e global sejam transformadas em um bem público.
A palestra seguiu com a apresentação do técnico do Dieese da subseção da CNB/CUT, Marcelo Terrazas, que apresentou o texto elaborado e assinado pela CNB e entidades parceiras.
Contato:
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