atualizado em 31/07/2010
Fóruns sociais pelo mundo

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Como organizar fóruns sociais locais

Os fóruns sociais locais podem ter uma função muito importante – muito mais do que convocar pessoas a irem ao FSM. Mais importante que isso, os fóruns locais têm o poder de levar o espírito do FSM a muita gente que não pode viajar até um fórum maior. Os encontros locais fazem com que os temas do FSM sejam debatidos por um número muito maior de pessoas. E a experiência neles vivida pode ter muitos desdobramentos, na criação de novas articulações e redes de caráter contínuo e permanente. No caminho para enraizar o processo FSM, uma das tarefas que podem ser assumidas pelos comitês pró-FSM, é a organização de fóruns locais em todas as cidades ou bairros de cidades em que isso seja possível. A mobilização para participar do FSM é importante, pela experiência nova que essa participação proporciona. Mas a multiplicação de fóruns locais é absolutamente imprescindível para que um número cada vez maior de pessoas viva essa experiência.

O objetivo desses fóruns é proporcionar a pessoas e organizações que não poderão ir a fóruns nacionais, regionais ou mundiais, a possibilidade de viverem, na própria cidade em que moram, os princípios do fórum. Respeito à diversidade e à pluralidade, a troca de experiências, as relações horizontais, democráticas e não diretivas entre participantes, a possibilidade de articulações que superem as divisões entre organizações, como se busca no FSM.

Essa experiência corresponde de fato a uma nova prática política, que fará com que esses valores possam passar a ser respeitados e vividos na ação política local. Para isso, é necessário respeitar alguns preceitos, contidos na Carta de Princípios.

Princípios a serem respeitados em um fórum local
O que diferencia um fórum social local ou dos fóruns regionais ou nacionais é na verdade a dimensão e a origem d@s participantes. Na certeza de que “outro mundo é possível”, um fórum social local tem, portanto, a mesma perspectiva e os mesmos objetivos do Fórum Social Mundial. Sua referência básica é, assim, a Carta de Princípios do Fórum. Ele garante às pessoas e organizações da sua cidade ou bairro que estiverem interessadas a criação de um espaço amplo para debates. Para assegurar seu caráter não diretivo, é preferível que se adote o mesmo método do Fórum Social Mundial – programando de baixo para cima os debates. Assim, o comitê que organize o encontro deve dar às/aos participantes o poder de decidir sobre essas atividades – temas, debatedores etc.

A parte mais importante do fórum devem ser suas atividades auto-organizadas – ou seja, que são preparadas por organizações que participem do fórum, e não pelo comitê do fórum.

Diversidade também na organização do fórum
Para poder cumprir adequadamente esse papel, o próprio comitê deve ter uma composição a mais diversificada possível. Essa pluralidade deve ser garantida sob vários aspectos: tipo de organização, área de atuação e posições políticas.

E deve viver, no seu funcionamento interno, a mesma experiência de respeito à diversidade e à pluralidade que terá que assegurar no fórum que organize.

Sempre por consenso
Neste sentido, será útil utilizar nos comitês a regra adotada pelos organizadores do Fórum Social Mundial: só decidir por consenso. É bom lembrar que os fóruns sociais locais não têm caráter deliberativo enquanto fóruns. Eles não adotam, portanto, documentos ou declarações finais.

Experiências, alianças, idéias...
Tomando os diferentes itens desta Carta, o fórum social local também é um “espaço aberto de encontro para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, de entidades e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo, e estão empenhadas na construção de uma sociedade planetária orientada a uma relação fecunda entre os seres humanos e destes com a Terra” (item 1 da Carta).

@s participantes dos fóruns sociais locais estão todos inseridos em um mesmo “processo permanente de busca e construção de alternativas”, rumo a uma “globalização solidária que respeite os direitos humanos universais, bem como o de tod@s @s cidadãos e cidadãs em todas as nações e o meio ambiente”.

O importante é que neles se vivam os mesmos valores do Fórum: como “espaço plural e diversificado, não confessional, não governamental e não partidário”, nele deve ser respeitada de forma absoluta a diversidade, ao mesmo tempo em que deve ser assegurada, a entidades ou conjuntos de entidades que participem, a liberdade de deliberar sobre declarações e ações que decidam desenvolver, isoladamente ou de forma articulada com outr@s participantes.

O fórum social local se insere assim na luta pelo respeito aos direitos humanos e pela prática de uma democracia verdadeira, participativa, por relações igualitárias, solidárias e pacíficas entre pessoas, etnias, gêneros e povos, condenando todas as formas de dominação assim como a sujeição de um ser humano pelo outro.

Ninguém fala em nome do Fórum
Assim como o Fórum Social Mundial, um fórum local “reúne e articula somente entidades e movimentos da sociedade civil” local, mas não pretende ser “uma instância representativa” dessa sociedade civil, e dele não participam representações partidárias, governos ou organizações que tenham optado pelo uso da violência como método de ação política.

Também em um fórum local, ninguém “estará autorizado a exprimir, em nome do Fórum, posições que pretenderiam ser de tod@s @s seus/suas participantes. Dentro dessa perspectiva, seus/suas participantes “não devem ser chamad@s a tomar decisões, por voto ou aclamação, enquanto conjunto de participantes do Fórum, sobre declarações ou propostas de ação que @s engajem a tod@s ou à sua maioria e que se proponham a ser tomadas de posição do Fórum. Ele não se constitui em instância de poder, a ser disputado pel@s participantes de seus encontros, nem pretende se constituir uma única alternativa de articulação e ação das entidades e movimentos que dele participem”.


Texto extraído da cartilha: “A caminho do Fórum Social Mundial”, publicação do Comitê Organizador do V Fórum Social Mundial, em 2004.









 
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